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Fragmentos Draconianos N2: Reminiscências do futuro

 

Aquele som terrível do alarme ecoava pela minha mente, embaralhando meus sentidos. Não aguentava mais correr e logo aquele Protetor, ao meu encalço, estaria em cima de mim.

– Não pare – repetia, tentando arrancar forças das entranhas.

Meus próprios parentes haviam me entregado e aquilo era inacreditável.

Meu pai, Drakkar Verde do qual eu herdara o Elemento Terra, também havia encontrado seu fim nas mãos dos Protetores que nos caçavam sem piedade. Era inaceitável viver em um mundo onde nós, descendentes dos Antigos Lordes Dragões, agora fugíamos como animais, rastreados e caçados como presas fáceis daqueles predadores humanos.

– Louis... – ouvi o Protetor chamando meu nome enquanto eu me esgueirava pelos muros escuros dos becos frios que se espalhavam pela cidade.

Aquela noite era minha única chance de escapar para terras distantes, na esperança de encontrar o único grupo de Drakkars que ainda conseguiam usar seus Elementos. Mesmo todos acreditando que, de fato, esse grupo não existia e não passava de mito.

– Louis... – o Protetor repetiu, mais calmo, aproximando-se de onde eu estava escondido – Não adianta fugir... Você não pode me enfrentar, e não pode correr. Eu sinto sua presença, ainda que fraca. Você não pode Soprar... é como um lobo sem presas – ele riu.

Meu pai me contava histórias de um passado onde nós, Drakkars, possuíamos uma extensa gama de habilidades e éramos treinados em Institutos muito bem conceituados. Contava-me da lendária Ordem da Garra do Dragão e de Drakkars incríveis, como Adrian, Sophie, Chaerin, Helena... e tantos outros. Agora havíamos sido reduzidos a fugitivos sem poder nenhum e amaldiçoados pelos Protetores que juraram exterminar cada um de nós, mesmo que fôssemos, naquele momento, completamente inofensivos.

– Eu não fiz nada! – gritei enquanto mudava de lugar para continuar escondido.

– Não fez. É verdade – berrou o Protetor – Porém seus genes são uma maldição à raça humana e é importante que sua espécie seja removida completamente. É a única forma de garantir que episódios como a Grande Matança não se repita.

– Mas fomos nós mesmos que impedimos que a Grande Matança continuasse – berrei começando a correr.

– Vocês também a iniciaram, para começo de conversa... – ouvi a voz dele muito próxima enquanto senti que meu corpo era preso completamente por uma força invisível.

O poder dos Protetores de controlar nossa Essência Draconiana era nossa maior fraqueza. Não tínhamos chance nenhuma se caso um deles deitasse os olhos em um de nós.

– Vocês são uma praga – ele disse como uma sentença enquanto se aproximava.

Ele não estava errado, de todo. Tínhamos sido nós, Drakkars, que iniciáramos a Grande Matança, onde quase toda a raça humana fora destruída. Porém não era culpa de todos os Drakkars. Nós mesmos nos erguemos contra nossa espécie para salvar o ser humano. Nem todo Drakkar era violento. E aquilo havia acontecido há quase cem anos.

– Hoje nós somos... – agonizei de dor enquanto sentia o poder dele pressionar cada fibra dos meus músculos ao ponto de quase se romperem – inofensivos...

– Mentira... – ele me sussurrou ao pé do ouvido – seus genes serão sempre uma ameaça. Hora de morrer... – ele apontou para um canto escuro.

Daquela escuridão surgiu um homem, de longo casaco preto e cabelos e olhos negros. Era diferente dos Protetores, que possuíam olhos azuis e cabelos prateados.

– Sabe o que ele é? – o Protetor me perguntou.

Fiquei em silêncio apenas sentindo dor e temendo mais a cada passo que aquele outro homem dava em minha direção.

– Ele é um emissário do Palácio do Protetorado... – disse o Protetor cheio de orgulho – Ele é um Mestre de Elite da Palma Servil. Existem poucos como ele... ele é um... Executor... – finalizou me gelando a espinha.

Ouvia falar dos Executores. Eram como os Protetores, porém não modificavam suas Essências para se tornarem como os outros e, mantendo-se inalterados, podiam desenvolver os níveis mais altos das habilidades da Palma Servil, a técnica secreta do Protetorado. Os rumores eram que os Executores podiam destruir um Drakkar com um simples fechar de mãos.

– Drakkar – disse o Executor – Pela Lei e pela decisão das Três Luzes do Protetorado, em vista das ações Drakkars durante a Grande Matança, eu cumpro aqui sua sentença prévia de execução.

Aquelas palavras protocolais para ele eram texto decorado, mas para mim era a morte certa. O que eu poderia fazer? Era um Drakkar que, como todos os outros, não podia mais Soprar, graças ao Círculo que os Protetores mantinham ao redor do planeta. Maldita tecnologia que lhes proporcionou anular nossos Elementos.

– Vá em paz – ouvi o executor dizer enquanto eu fechava os olhos.

Naquele silêncio sinistro, sentindo apenas o pulsar do meu coração, ouvi um estrondo tão alto quando o mais poderoso relâmpago que já havia presenciado. Uma onda de choque se espalhou por tudo e senti meu corpo livre novamente.

Abri meus olhos e vi, para minha total surpresa, o Protetor e o Executor caídos, desmaiados ou mortos, não sabia dizer. Ao lado deles, uma jovem asiática de cabelos azuis, cortados até os ombros, olhava-me extasiada, como se não compreendesse aquela cena.

– Eu... – ela olhou em roda – Acho que avancei demais... – riu enquanto franzia o queixo.


A Saga Draconiana - Fragmentos Draconianos

TAGS: Dragão, Dragões, Fantasia, Literatura Fantástica, Drakkar

A. G. Olyver

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